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SOMOS UMA IGREJA...

Somos uma Igreja que anuncia e reanuncia Jesus Cristo numa rede de comunidades, serviços e ministérios em permanente estado de missão, a serviço da vida em todas as suas instâncias. Acolhemos o desafio de servir à Deus com maior empenho de modo especial porque sabemos que o mundo passa por várias mudanças.Este serviço discorre necessariamente pelo anúncio de um Deus que nos ama sem medidas. Sabemos que a Internet é um veículo eficaz e que nós cristãos devemos saber utilizá-lo bem! Queremos chegar até você e trazer ao seu coração a certeza de que Deus tem o seu jeito todo especial de nos surpreender e que faz questão de se manifestar em nossa vida concreta. Este mesmo Deus que tem o seu nome gravado em suas mãos e anseia encontrar-se com você. Nosso desejo é que este portal te possibilite um caminho que te leve ao coração de Deus! Aceite este desafio! Deus te abençoe!

         

A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA - JUNHO/2015

A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança.

O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é « fonte e centro de toda a vida cristã ». Com efeito, « na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo ». Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos do Apóstolos: « Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à facção do pão, e às orações » (2, 42). Na « facção do pão », é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois, continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas. De fato, a instituição da Eucaristia antecipava, sacramentalmente, os acontecimentos que teriam lugar pouco depois, a começar da agonia no Getsêmani. Revemos Jesus que sai do Cenáculo, desce com os discípulos, atravessa a torrente do Cedron e chega ao Horto das Oliveiras. O sangue que, pouco antes, tinha entregue à Igreja como vinho de salvação no sacramento eucarístico, começava a ser derramado; a sua efusão completar-se-ia depois no Gólgota, tornando-se o instrumento da nossa redenção: « Cristo, vindo como Sumo Sacerdote dos bens futuros [...] entrou uma só vez no Santo dos Santos, não com o sangue dos carneiros ou dos bezerros, mas com o seu próprio sangue, tendo obtido uma redenção eterna » (Hb 9, 11-12).

Mysterium fidei! - « Mistério da fé ». Quando o sacerdote estas palavras, os presentes aclamam: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! ». Com estas palavras ou outras semelhantes, a Igreja, ao mesmo tempo que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: Ecclesia de Eucharistia. Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo.

Contemplar Cristo implica saber reconhecê-Lo onde quer que Ele Se manifeste, com as suas diversas presenças mas sobretudo no sacramento vivo do seu corpo e do seu sangue. A Igreja vive de Jesus eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, « mistério de luz ». Sempre que a Igreja a celebra, os fiéis podem de certo modo reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: « Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-No » (Lc 24, 31).

São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia

         

OS CRISTÃO NO MUNDO - JULHO/2015

Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira. Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito.

São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos. Condenam- nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida. São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância. São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras. Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida. Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio.

Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres.

A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam. Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia. Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar.

Da Carta a Diogneto, (Séc.II)

         

"VEM, E SEGUE-ME" - AGOSTO/2015

"VEM, E SEGUE-ME" "O meu nome é 'vontade de Deus'" - Santa Teresinha

Neste mês, a Igreja nos convida a ter um olhar especial sobre a vocação. Todos são chamados a uma vocação particular, como o matrimônio, a vida consagrada, o sacerdócio, e tantos outros caminhos que convergem para uma única vocação: a santidade. Mas é impossível ter esse olhar especial se tentarmos escutar Deus em meio à agitação do dia-a-dia.

Por isso, é preciso estar atento às formas como Deus fala. Muitas pessoas esperam que apareça um anjo na sua frente, ou que Deus o grite no meio da rua, de maneira grandiosa, com visões etc. Mas quase sempre não é assim. O Senhor nos fala através de músicas, filmes, pregações, testemunhos de vida e, sobretudo, pelos sussurros ao coração.

Para escutar tal sussurro, é necessário esvaziar-se daquilo que o coração está acostumado, desafio proposto ao jovem rico. Na passagem, o jovem é chamado a largar todos os bens materiais para seguir a Cristo. É um processo de despojamento, que conosco se dá através do esvaziamento do coração. Tal ideia também está presente no ato de Moisés tirar as sandálias dos pés, para estar na presença de Deus e, só aí, ouvir da boca do Senhor o seu chamado. Essas sandálias geralmente têm nomes: são também conhecidas como medos, inseguranças, limitações, dúvidas... E o processo de descoberta vocacional está diretamente ligado a essas "sandálias". Certamente coisas assim surgirão, mas elas contribuem nesse processo. São questionamentos que serão respondidos no momento certo, no silêncio do coração. Desamarrar essas sandálias não é fácil. Mas também não se pode esquecer de que nem isso é obstáculo para os planos de Deus. Talvez, ao conseguir desamarrá-las, muitos não compreendam a escolha feita, ou não aceitem tal decisão e, por isso, virem as costas. Provações assim são necessárias para aumentar a fé e ratificar a sua vocação. É o amor de Deus que o sustentará. O mesmo amor que leva alguém a querer gastar os seus dias por Cristo, que faz alguém querer santificar seus relacionamentos... O amor de Deus.

Devemos estar atentos, no decorrer da nossa caminhada, aos sinais que Deus nos dá. Queiramos ouvir a voz de Deus no nosso íntimo, que nos diz: "vem, e segue-me". Que possamos todos nos lançar nos braços do Pai, para corresponder ao Seu apelo. Ele está desejoso pelo nosso sim. Possamos, enfim, dá-lo hoje e sempre, sem medo, e que a Virgem do Silêncio interceda por nós nessa caminhada.

"O mar é Deus, e o barco sou eu. E o vento forte que me leva pra frente é o Amor de Deus".
TEXTO: Vocacionados da Paróquia Maria Mãe da Igreja

         

MÊS DA BÍBLIA - SETEMBRO/2015

Em setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. Esse mês temático foi criado em 1971 e ele foi escolhido porque no último domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia, devido à proximidade da festa de São Jerônimo, patrono dos estudos Bíblicos, no dia 30.

A cada ano um livro bíblico é aprofundado em nossas comunidades, seja pelas reuniões de grupos, seja pelas publicações, ou ainda pelas celebrações. Neste ano, o tema deste mês é "discípulos missionários, a partir do Evangelho de João".

Graças aos apóstolos, mais próximas testemunhas que viveram com Jesus Cristo, chegam até nós a Boa-Notícia da Salvação proclamada pelo Filho de Deus. Assim se expressa São Pedro: "Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna?" (Jo 6, 68).

Fé na Palavra, que é viva! O Verbo é o próprio Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz. O que a Palavra de Deus me diz, ainda hoje, aqui e agora? Deus fala, ainda hoje, e as palavras são dirigidas a todas as pessoas. Este é o grande mistério da Palavra de Deus. Para cada um dirige pessoalmente a sua voz.

Essa verdade tem consequências enormes. Você precisa ter consciência do que Deus diz na Palavra, a fim de não perder esses momentos especiais. É então que se faz necessário perguntar: O que Deus diz para mim, hoje?

Fé na Palavra, que dá a vida! A Palavra que é dirigida a mim, pessoalmente, é a fonte da verdadeira vida. A Palavra deve ser assumida com uma fé profunda, que é sempre dirigida a mim - aqui e agora!!

A Palavra é uma palavra constantemente presente. Jesus envia seus discípulos a todo o mundo, ordena-lhes fazer discípulos entre as nações por onde passaram, a pregar a Palavra exatamente como foi comunicada a eles.

Ler a Bíblia supõe abertura à ação do Espírito Santo, mas também aprofundamentos. São importantes alguns estudos preliminares, que fornecem uma visão geral das informações básicas sobre o ambiente em que o livro foi escrito. Por isso, é preciso conhecer o contexto mais amplo da Bíblia. Este contexto irá variar dependendo de qual livro queremos ler.

O nosso dia deveria começar com a leitura da Palavra. A tradição da Igreja nos coloca os salmos para a oração da Liturgia das Horas. É, pois, importante que o iniciemos com a leitura orante da Palavra de Deus, algo que vai proteger o nosso coração durante o dia, como Maria, que mantinha tudo no seu coração. Armazenar a Palavra logo de manhã para irmos "ruminando" durante todo o dia. No final do mergulho na meditação, iniciamos um novo dia com todos os problemas que ele traz, mas no coração temos uma palavra, ou pelo menos um de seus versos, algo recebido e acolhido a partir da leitura.

Na liturgia da missa, os vários textos se complementam e, na sequência, nos ajudam a mergulhar ainda mais no mistério.

Que no mês da Bíblia, em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas comunidades e principalmente na animação do nosso círculo bíblico possamos, cada vez mais, colocar a Palavra de Deus como centro de nossa ação evangelizadora.

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

         

DISCÍPULOS E APÓSTOLOS - OUTUBRO/2015

Iniciamos o mês de outubro, dedicado as missões, mês de São Judas, apóstolo de Jesus, nosso padroeiro. O Documento final da Conferência de Aparecida DA) lembra que todo cristão deve ser um "discípulo missionário". Mas o que isso significa?

Discípulo quer dizer "seguidor", ou seja, alguém que tem e segue um mestre. Era comum no tempo de Jesus as pessoas pagarem um mestre famoso para lhes ensinar a sabedoria. No entanto, não são os discípulos que escolhem Jesus, mas é o mestre quem chama aqueles que Ele quer. O discípulo é, antes de tudo alguém escolhido para fazer uma experiência de amor com Jesus. Nesse processo de intimidade vai, aos poucos, britando uma intimidade com o Senhor e Mestre, fruto de um encontro pessoal que se inicia no Batismo: ponto de início de toda espiritualidade cristã que se funda na Trindade. Desse modo "Deus nos atrai por meio da entrega Eucarística de Seu Filho" (DA 241).

É preciso notar que "não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva" (DA 243). Quando o mestre chama, chama para fazer uma experiência nova e definitiva! E chama para que? Para que, a partir da experiência de intimidade com Ele, sejamos enviados em missão. Apóstolo significa "enviado". Os seguidores de Jesus eram discípulos ou apóstolos? Na verdade, no Evangelho, aparecem os dois termos (Mc 3, 13; Lc 6, 12-13; Mt 10, 1-2; Jo 2,1; Mt 26, 20; Mc 14, 14; Lc 22, 14). O fato é que não se pode ser Apóstolo sem ser discípulo. E não tem sentido ser discípulo se não se tornar Apóstolo. Ou seja: não posso seguir Jesus se não for enviado em missão, nem posso ser enviado em missão se antes eu não me tornar discípulo Dele. O seguimento está em vista do envio.

A missão não é um simples apêndice na vida da Igreja. Ao contrário, a Igreja nasceu missionária e foi justamente por isso que, pela força do Espírito Santo, pelo testemunho dos apóstolos e mártires ela chegou aos quatro cantos da terra. A missão está, por assim dizer, no DNA da Igreja. Todo aquele que foi batizado deve, portanto, ser um missionário.

Mas ao contrário do que muitos pensam, evangelizar não se trata apenas de ir para uma terra distante anunciar o Evangelho a pessoas que não conhecem Jesus. Há uma missão bem mais árdua, desafiadora e necessária: evangelizar os que Cristãos que foram batizados, mas que ainda não se converteram, isto é, ainda não abraçaram a fé de verdade. São aquelas pessoas lá da sua casa, do seu trabalho, da faculdade, da escola... Pessoas que já ouviram o nome de Jesus, mas ainda não descobriram a riqueza do encontro pessoal com Ele. Quem vai evangelizar essas pessoas? Ora! Você! Sim! Você também é missionário no lugar onde você está, e nada melhor do que viver uma vida de santidade e testemunhar o amor de Deus para converter as pessoas. Mas atenção: santidade nada tem a ver com não pecar, mas o santo é um pecador que nunca se deixou vencer pelo pecado.

Por fim, neste mês em que vivemos a festa de São Judas, discípulo e apóstolo de Jesus, toda nossa paróquia está em missão. Receberemos os missionários que vem ao nosso encontro com face humana, mas com o coração de Jesus! Eles vão bater em nossas portas, falar aos nossos corações, interceder por nossas famílias. Mas e você, não está disposto a aceitar esse desafio também? Que tal se deixar tocar pelo Espírito e ser enviado em missão? Afinal, se você é batizado e faz parte da Igreja de Cristo isto já está no seu DNA!

Diácono Renato Oliveira

         

APRENDENDO COM A VIDA - NOVEMBRO/2015

Aprendi que enquanto alguns nascem outros morrem: é o ciclo da vida.
Aprendi que a gente não nasce sabendo: aprender depende de cada um.
Aprendi que muitas pessoas me amam, mas outras não e tenho de respeitar isso.
Aprendi que caminhar depende do primeiro passo, mas não pode ficar só no primeiro e que a vida é uma escola, mesmo que não queiramos.
Aprendi que aprendo com os que estão a minha volta: é algo natural e que pessoas aprendem comigo.
Aprendi que o bem e mal só depende de uma decisão.
Aprendi que é preciso escolher, mas isso nem sempre é fácil.
Aprendi que quem mais me ama são meus pais, mesmo nos momentos difíceis.
Aprendi que os amigos são peças importantes na vida, mesmo que distantes e que um amigo um dia pode não querer sê-lo mais, e eu preciso respeitar. Aprendi que o amor verdadeiro supõe a liberdade de quem se ama e que posso amar, mesmo sem ser amado, que posso conservar uma amizade, mesmo que só eu faça isso.
Aprendi que posso lembrar-me dos momentos felizes e ainda sorrir por isso, que posso lembrar-me dos momentos tristes e tirar lições de tudo, que posso aprender muitas coisas, basta querer.
E por fim aprendi que aprendo com a vida, e esse aprendizado só termina com a morte, e como na maioria das vezes você não sabe quando vai chegar a hora de encerrar o espetáculo da vida, e bom aproveitar cada momento para aprender algo novo!
E... por último, acho que estou aprendendo a entender o tempo, a brevidade dos dias, a curta jornada da vida e seus inúmeros e indecifráveis mistérios. Tempo! Sim o tempo.

Diácono Renato Oliveira

         

A MISERICÓRDIA DO PAI - DEZEMBRO/2015

Se algum dia a dor, a dor ou a perda de uma pessoa amada os encher de desconsolos, lembrem que um sussurro ao Tabernáculo, onde está o maior e mais augusto mártir, e um olhar para Maria aos pés da cruz podem fazer cair gotas de bálsamo sobre as feridas mais profundas e dolorosas.
Carta da Avó a Bergoglio, Papa Francisco

No dia 08 de dezembro iniciaremos o "Ano da Misericórdia" proclamado pelo Santo Padre, o Papa Francisco por meio da bula "MisericordiaeVultus", em comemoração aos 50 anos de encerramento do Concílio Vaticano II. Mas o que significa celebrar a misericórdia?

No Antigo Testamento, quando Deus passa diante de Moisés, se revela como Deus de Misericórdia: "Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade, que conserva sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado" (Cf. Ex 34,6-7). Diante disso, Moisés cai por terra e exclama: "se tenho o vosso favor, Senhor, dignai-vos marchar no meio de nós: somos um povo de cabeça dura, mas perdoai nossas iniquidades e nossos pecados, aceitai-nos como propriedade vossa" (cf. Ex 34,9).

Chama atenção o modo como Deus se revela: MISERICORDIOSO. Desde o Antigo Testamento Deus se mostra amoroso com o povo, e no Novo Testamento, por meio do Filho, revela seu coração manso e humilde (cf. Mt 11,29). O Coração de Jesus "é o rosto da misericórdia do Pai". É assim que o Papa Francisco inicia a Bula de convocação do jubileu da misericórdia.

Misericórdia: no Latim é a junção de duas palavras: miseratio (compaixão) + cordis (coração). Ou seja, um coração compadecido. Aparece cerca de 102 vezes nas Sagradas Escrituras. Mas há um termo hebraico que chama atenção: a raiz da palavra misericórdia também está conectada com o termo usado para gravidez. Em Hebraico o milagre da concepção e proteção da vida é definido em termos de misericórdia.

A misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até ao mais íntimo das suas vísceras.

« Eterna é a sua misericórdia »: tal é o refrão que aparece em cada versículo do Salmo 135/136. A história da revelação de Deus é permeada pela misericórdia. É como se se quisesse dizer que o homem, não só na história mas também pela eternidade, estará sempre sob o olhar misericordioso do Pai. Não há história humana sem a misericórdia de Deus.

O Papa lembra que a coluna que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Por muito tempo, talvez, nos tenhamos esquecido de apontar e viver o caminho da misericórdia. É o tempo de regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos. O perdão é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança.

A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, e se você também é Igreja, a misericórdia deve transparecer na sua vida.

Diácono Renato Oliveira

         

O REINO DE CRISTO NÃO É DESTE MUNDO - JANEIRO 2016

O reino de Cristo não é deste mundo. E, justamente por não ser deste mundo, Ele muda o homem neste mundo.

Gostaríamos que acabasse o domínio do mal e triunfasse o bem pela força, mas Jesus nos diz: "Não resistais ao mal".

Na cruz, Jesus manifesta a sua... dependência. Jesus se torna dependente dos homens até a morte. Na paixão, Ele é levado sem opor resistência. Ele silencia. Verdadeiramente, o seu reino não é deste mundo. Mas o seu reino, justamente por não ser deste mundo, muda o homem neste mundo.

Nessa cruz solitária se manifesta a verdade de Deus no testemunho do abandono, na dependência mais absoluta, na impotência mais dolorosa. Por sobre o ódio mais extremo dos homens, Jesus reina.

Ele é Rei no serviço, na entrega, na humildade. Ele se cala e é Rei. Ele não manda e é Rei. Ele não é socorrido, mas abandonado, e é Rei. Parece um reinado absurdo, impotente, irrisório. Derruba todos os nossos esquemas mentais.

O reinado de Jesus continua vivo hoje na força dos seus santos, no testemunho vivo dos que se entregam e amam. Seu poder é o serviço e a generosidade até o extremo. Na impotência humana, Jesus reina. Seu reino é de paz e de verdade. Esse é o reino que Ele nos mandou estender. Como nos custa entender isso!

Seu reino é um reino no coração do homem, mas não é um reino escondido: é estável e firme, sólido e eterno. Um reino que não se baseia nos poderes materiais, porque o seu poder é o serviço - e não se pode servir a dois senhores. Ou a Deus. Ou a qualquer outra coisa.

Em que reino servimos? Às vezes nos deixamos levar pela imagem vã do reino "poderoso". Gostaríamos que acabasse o domínio do mal e triunfasse o bem pela força. Mas Jesus nos diz: "Não resistais ao mal".

Essas palavras me interpelam. Me comovem. Me doem. Resistir ao mal é próprio do meu coração, que não quer sofrer! Resistimos ao mal que é violência, opressão, agressividade, resistimos a um mal que escraviza.

Mas como é a nossa resistência? Jesus é o único Rei que liberta o coração das suas escravidões. Mas é um Rei que não nos libera do mal, da cruz, da dor. Ele não apaga por obra de mágica os nossos sofrimentos, por mais que lhe peçamos essa "mágica". Mas Ele nos torna fortes quando aceitamos a cruz com paz, confiança nele e amor.

Quanto nos custa aceitar a vida como ela é, com as suas cruzes e trevas! Quanto nos custa calar-nos e ser mansos como o cordeiro!

Jesus nos mostrou o caminho. Como se constrói este reino? Dizendo-lhe SIM. De palavra e de obra. Sim a quê? A Ele! Ao reino que Ele quer.

Até quando vamos priorizar a vã tentativa de destruir os reinos do mal em vez de nos entregar de corpo e alma à construção do reino de Cristo?

PADRE CARLOS PADILLA 26 DE NOVEMBRO DE 2015

         

SAIBA COMO VIVER BEM O ANO DA MISERICÓRDIA - FEVEREIRO 2016

Saiba como viver bem o Ano da Misericórdia
O jubileu do Ano da Misericórdia é um convite a olhar para o próximo sem julgar e condenar, com amor e perdão sem medida

O Papa Francisco convocou a Igreja do mundo todo para um Ano Jubilar Extraordinário dedicado à Misericórdia. A expectativa era para a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, em 8 de dezembro, porém o "Papa das Surpresas" antecipou a abertura da Porta Santa para o dia 29 de novembro, em Bangui, capital da República Centro Africana. "Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia", disse o Santo Padre ao anunciar a celebração. A proposta é viver a misericórdia no exemplo do Pai, que pede para não julgar e não condenar, mas perdoar e dar amor e perdão sem medida (cf. Lc 6,37-38).

Remédio da Misericórdia
A abertura do Ano Jubilar coincide com os cinquenta anos do encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II, encorajando a Igreja a prosseguir a obra iniciada. De fato, Papa João XXIII declarou que "em nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade.". Em um sinal do desejo da Igreja de avançar no caminho iniciado em 1965, Francisco reafirma que a missão de todo cristão é agir sempre na linha da misericórdia.

Bula da misericórdia
Francisco publicou uma Bula intitulada Misericordiae Vultus, que significa "O Rosto da Misericórdia". Com esse documento, oficializa o Ano Santo. Bula indica um tipo de documento do Papa. Deriva do antigo selo que fechava as cartas pontifícias, em formato de bola (bulla), podendo ser de prata ou chumbo. Hoje, bula é um folheto explicativo que acompanha os medicamentos. Dessa maneira, pode-se aplicar o mesmo sentido à bula de Francisco por apresentar à Igreja e ao mundo o grande remédio da misericórdia para curar as feridas humanas.

Vivendo de maneira concreta
Uma maneira concreta para viver o Ano Santo é a prática das obras de misericórdia corporais e espirituais. O Papa Francisco expressou seu vivo desejo de que os cristãos reflitam essas práticas e despertem da indiferença diante da pobreza, já que "os pobres são os privilegiados da misericórdia divina".

Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais
O convite é, portanto, de uma redescoberta. São obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos. Obras de misericórdia espirituais são: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas e rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Perdão a quem cometeu aborto
Entre as graças disponibilizadas para o Ano da Misericórdia, destaque para o perdão concedido a quem cometeu aborto. "Decidi conceder a todos os sacerdotes a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado", escreveu Francisco. O Papa não ameniza a gravidade do aborto e diz na carta que "o drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. "O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo, quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai", acrescenta.

Rodrigo Luiz dos Santos
Rodrigo Luiz dos Santos é chefe de reportagem da Central de Jornalismo da TVCN e apresentador de programas
relacionados à Igreja. Missionário na Canção Nova, estou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova.

         

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA - MARÇO 2016

Amados irmãos e irmãs, Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar. (...)

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de onipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum - Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.

Papa Francisco

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/papa-francesco_20141004_messaggio-quaresima2015.html

PAPA FRANCISCO - 52º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES - ABRIL 2016

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. (...)

Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo- se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6). (...)

Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo- se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6). (...)

Papa Francisco

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/papa-francesco_20150329_52-messaggio- giornata-mondiale- vocazioni.html

A DEVOÇÃO À VIRGEM ATRAI A MISERICÓRDIA DIVINA - MAIO 2016

Mês de sol e de flores [...], mês de Maria, coroando o tempo pascal. O nosso pensamento vinha seguindo Jesus desde o Advento; agora que a paz, que é conseqüência da Ressurreição, reina no nosso coração, como não nos dirigirmos Àquela que no-lo trouxe?

“Apareceu sobre a terra para preparar a sua vinda; viveu à sua sombra, ao ponto de não a vermos no Evangelho senão como Mãe de Jesus, seguindo-o, velando por Ele; e quando Jesus nos deixa, Ela desaparece suavemente. Desaparece, mas fica na memória dos povos, porque lhe devemos Jesus...” J.
Leclercq, Siguiendo el año litúrgico, Rialp, Madrid, 1957.

Como em outras ocasiões, Jesus dirige-se à multidão e fala-lhe dos mistérios do Reino de Deus. As pessoas que o rodeiam têm os olhos fixos nele e guardam um profundo silêncio. De repente, uma mulher grita com toda a força: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram.

 Começa a cumprir-se a profecia contida no Magnificat: Eis que todas as gerações me proclamarão bem-aventurada. Com o desembaraço da gente do povo, uma mulher dá início àquilo que não terminará até o fim do mundo. Essas palavras de Santa Maria, proferidas nos começos da sua vocação sob o impulso do Espírito Santo, teriam o seu total cumprimento através dos séculos: poetas, intelectuais, reis e guerreiros, artesãos, mães de família, homens e mulheres, gente de idade madura e meninos que acabaram de aprender a falar; no campo, na cidade, no cume dos montes, nas fábricas e nos caminhos; no meio da dor ou da alegria, em momentos transcendentais (quantos milhões de cristãos não entregaram a sua alma a Deus olhando para uma imagem da Virgem ou recitando com os lábios ou apenas em pensamento o doce nome de Maria!), ou simplesmente no dobrar de uma esquina da qual se vislumbrava uma imagem de Nossa Senhora; em tantas e tão diversas situações, milhares de vozes, em línguas diversíssimas, cantaram os seus louvores à Mãe de Deus.

É um clamor ininterrupto por toda a terra, que atrai todos os dias a misericórdia de Deus sobre o mundo, e que não se explica senão por um expresso querer divino. “Desde remotíssimos tempos – recorda o Concílio Vaticano II – a Bem-aventurada Virgem Maria é venerada sob o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades”.

Todo o povo cristão soube sempre chegar a Deus através da sua Mãe. Com uma experiência constante das suas graças e favores, chamou-a Onipotência suplicante e encontrou nEla o atalho que o levava mais depressa para Deus. O amor inventou numerosas formas de tratá-la e honrá-la e a Igreja fomentou e abençoou constantemente essas devoções como caminho seguro para chegar até o Senhor, “porque Maria é sempre caminho que conduz a Cristo. Todo o encontro com Ela não pode deixar de terminar num encontro com o próprio Cristo. E o que significa o contínuo recurso a Maria senão procurar entre os seus braços, nEla, por Ela e com Ela, a Cristo, Nosso Salvador?”

O SACRAMENTO DO AMOR - JUNHO 2016

Aquele que ama anseia estar junto da pessoa amada; e o seu maior sofrimento é não ser correspondido no seu amor. Para comprovar isto, basta ver como fica desesperado, um jovem ou uma jovem, quando o namorado que tanto ama, lhe abandona. A dor e a angústia é ainda maior quando ela é trocada por outra.

A dor mais forte é a “dor do amor”. A pior doença é o amor não correspondido. Conheci uma moça que, ao tomar conhecimento que o seu namoro tinha terminado, não queria mais nada, e nada podia consolá-la; não queria mais comer, dormir, estudar…nada. Era a dor do amor. Queria morrer…

Jesus mostrou e provou o seu amor por nós de inúmeras maneiras: assumiu a nossa natureza, “vestiu a nossa carne”, fez-se obediente até a morte, morte de cruz, para nos salvar da morte eterna, e ficou conosco para sempre na Eucaristia.

Neste Sacramento do seu próprio Corpo, o Senhor nos dá a revelação máxima do seu amor. Fez o milagre da Eucaristia para estar junto de nós, individualmente, com cada um, de modo “particular”, e inteiramente. Fez-se pão, “prisioneiro dos nossos sacrários”, para estar sempre conosco, a cada dia, e todos os dias. Ele se entregou totalmente a nós no Pão.

Ele que é Onipotente, se fez fraco no pão; Ele que é o Soberano, se fez pobre; Ele que é o Infinito de Tudo, se fez limitado num pedacinho de pão.

E por que tudo isso, meu irmão? Por amor a cada um de nós. Para estar a nosso lado e ser o nosso remédio e o nosso alimento. Ele deu-se todo a nós, sem reservas; é por isso que nós também temos que nos dar a Ele com a mesma radicalidade. Na Eucaristia Ele é nosso, como dizia santa Terezinha: “agora Jesus, o Senhor é meu!”

É impressionante como Jesus preparou os seus discípulos para anunciar-lhes a Eucaristia. São João narra isto no capítulo 6 do seu Evangelho. De início, às margens do mar da Galiléia, circundado de montanhas, no final do dia, Jesus realiza o milagre da multiplicação dos pães. O povo come até se saciar e ainda sobram doze cestos. Jesus mostrava assim, de maneira vivencial, que “ele era Deus” e que tinha “poder sobre o pão”. Este se multiplicava sob a sua ordem.

Em seguida, na madrugada do mesmo dia, vai ao encontro dos discípulos, “andando sobre as águas”. Mostrava-lhes assim, também de maneira visível, que era Deus e que tinha “poder sobre o seu corpo” e sobre as leis da natureza.

Portanto, se Ele tem o poder total sobre o pão, que multiplicara, e sobre o seu corpo, que não afundava na água, então, poderia agora transformar o pão no seu próprio corpo, para ser o nosso sustento e remédio espiritual.

Na manhã do dia seguinte, na Sinagoga de Cafarnaum, Jesus faz então o célebre “discurso da Eucaristia”, depois que o povo tinha visto, pedagogicamente, o seu poder sobre o pão e sobre o seu próprio corpo. Entre tantas promessas maravilhosas do discurso eucarístico, Jesus disse: “

Eu sou o pão descido do céu; quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6, 51).

Esta é a primeira promessa que Jesus encerra na Eucaristia: a vida eterna. Ele é a vida eterna; e quem o recebe no seu Corpo tem a garantia desta vida que começa já neste mundo. “

Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes, o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53).

A união com Jesus na Eucaristia garante a vida incriada, a vida divina e eterna, em nós. O “pão da vida” é o alimento desta vida eterna, que começou com o batismo.

A segunda afirmação de Jesus é a de que pela Eucaristia Ele permanece em nós:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 56).

Em outra ocasião Jesus disse aos discípulos:

“Permanecei em mim, como eu em vós. Eu sou a videira e vós os ramos, aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

No discurso eucarístico Ele deixou claro como os seus discípulos “permaneceriam nele”, para pode dar muito fruto. E fez questão de enfatizar a importância desta união conosco na Eucaristia:

“Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que come a minha carne viverá por mim” (Jo 6,57).

É essencial entender esse “viverá por mim”. Quer dizer, com a Sua presença em nós, Ele agirá em nós; Ele será a nossa força; Ele será a nossa paz; Ele será tudo em nós! A nossa miséria será trocada pela Sua força.

É aquilo que São Paulo experimentou: “

Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20).

É interessante notar que quando Jesus terminou o discurso eucarístico, muitos o abandonaram por não aceitar o que ele acabara de revelar (Jo 6,66). Nem por isso Jesus voltou atrás ou deu mais explicações. Chamou os Doze e perguntou também a eles: “

Não quereis também partir ?” (Jo 6,67), provando-lhes a fé. Ao que Pedro, iluminado por Deus, responde: “

Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus”(Jo 6,69).

Pedro também não tinha entendido como seria aquilo de “comer a minha carne e beber o meu sangue”, mas acreditou, porque sabia que Jesus era o “Santo de Deus”, e que para Ele nada é impossível. O milagre da multiplicação dos pães e do caminhar sobre o mar estavam ainda vivos na mente de Pedro…

Também de cada um de nós Jesus exige a mesma fé na sua palavra, acima do que possamos sentir ou entender diante da Hóstia viva, que será sempre um desafio à nossa inteligência.

A Eucaristia é um milagre. É o maior de todos os milagres. É o milagre de Deus que se faz pão para poder saciar o seu amor por nós e poder estar unido a cada um de nós, individualmente. É o milagre do amor de um Deus apaixonado por sua criatura, e que não suporta ficar longe dela.

Que resposta daremos a esse amor de Jesus por nós?

Amor só se paga com amor, dizem os santos.

Jesus espera o nosso amor. Jesus sofre de amor, amor não correspondido. Quantos são os que se lembram de que Ele está vivo, ressuscitado, verdadeiro, em nossos sacrários? Quantos são os que chegam até ali, diariamente, para fazer-lhe companhia, ao menos por alguns minutos, e saciar a sua sede de amor por nós?

Ali, “prisioneiro dos nossos sacrários”, ele nos espera com as mãos cheias de graças. Vamos buscá-las.

COMO ALCANÇAR INDUGÊNCIA PLENÁRIAS NO ANO DA MISERICÓRDIA - JULHO 2016

Saiba  como  alcançar  indulgências  plenárias  no  Ano  da  Misericórdia

Conforme o ensinamento da Igreja Católica, “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos

pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por

meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo

e dos Santos” (Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, 1967, Papa Paulo VI, Sobre a doutrina das indulgências, n.1).

Embora, no Sacramento da Penitência, a culpa do pecado seja perdoada, tirada e com ele o castigo eterno por motivo dos

pecados mortais, ainda permanece a pena temporal exigida pela Justiça Divina, e essa exigência deve ser cumprida na vida

presente ou depois da morte, isto é, no Purgatório. Uma indulgência oferece ao pecador penitente meios para cumprir essa

dívida durante sua vida na terra ou oferecer pelas almas do Purgatório. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Pelas

indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais,

sequelas dos pecados” (CIC, 1498).

A misericórdia é mais forte que os pecados

“No sacramento da reconciliação, Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os

pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte

também do que isso. Ela torna-se indulgência do Pai que, por meio da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e o

liberta de qualquer resíduo das consequências do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de

recair no pecado” (Misericordiae Vultus, Papa Francisco).

O Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências (DI), ensina toda a verdade sobre essa matéria.

Começa dizendo: “A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica, há vários séculos, encontram sólido apoio

na Revelação divina, a qual, vindo dos Apóstolos ‘se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”,  enquanto “a

Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei

Verbum, 8)’” (DI, 1). Assim, fica claro que as indulgências têm base sólida na doutrina católica (Revelação e Tradição) e, como

disse Paulo VI, “desenvolve-se na Igreja sob a inspiração do Espírito Santo”.

Como obter indulgências no Jubileu da Misericórdia?

“Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo afeto a qualquer pecado, até venial, requerem-se a execução da

obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão

eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice” (Normas,7-10).

Sendo o Ano Santo um período em que se enfatiza o perdão, a libertação e a misericórdia, a Igreja propõe, de modo especial,

nessas ocasiões, as indulgências.

O Papa Francisco anunciou o Jubileu da Misericórdia, um Ano Santo Extraordinário, instituído por ele e que terá como centro a

misericórdia de Deus. O Jubileu da Misericórdia é extraordinário, e seu início foi no dia oito de dezembro, dia da Imaculada

Conceição. O encerramento do Ano Santo será no dia 20 de novembro de 2016: “Decidi convocar um Jubileu Extraordinário

que tenha o seu centro na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da misericórdia”.

O que significa viver a indulgência no Ano Santo

“Viver a indulgência no Ano Santo significa aproximar-se da misericórdia do Pai, com a certeza de que o seu perdão cobre toda

a vida do crente. A indulgência é experimentar a santidade da Igreja, que participa em todos os benefícios da redenção de

Cristo, para que o perdão se estenda até às últimas consequências aonde chega o amor de Deus. Vivamos intensamente o

Jubileu, pedindo ao Pai o perdão dos pecados e a indulgência misericordiosa em toda a sua extensão”.

Será, portanto, um Ano Santo extraordinário para viver, na existência de cada dia, a misericórdia que o Pai, desde sempre,

estende sobre nós. Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do Seu

coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a Sua vida. A Igreja sente, fortemente, a urgência de anunciar a

misericórdia de Deus. A sua vida é autêntica e credível, quando faz da misericórdia seu convicto anúncio.

O que um católico deve fazer para receber indulgências?

Segue o que o Papa Francisco diz:

“Para viver e obter a indulgência, os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta da Santa, aberta em

cada catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais, em Roma, como sinal do

profundo desejo de verdadeira conversão. Estabeleço igualmente que se possa obter a indulgência nos santuários onde se

abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que, tradicionalmente, são identificadas como jubilares. É importante que esse

momento esteja unido, em primeiro lugar, ao sacramento da reconciliação e à celebração da Santa Eucaristia, com uma

reflexão sobre a misericórdia. Será necessário acompanhar essas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim

e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro”.

E as pessoas enfermas?

“Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até a Porta Santa, sobretudo os doentes e

as pessoas idosas e sós, as quais, muitas vezes, se encontram em condições de não poder sair de casa. Para eles será de

grande ajuda viver a enfermidade e o sofrimento como experiência de proximidade ao Senhor, que, no mistério da Sua Paixão,

Morte e Ressurreição, indica a via mestra para dar sentido à dor e à solidão. Viver com fé e esperança jubilosa esse momento

de provação, recebendo a comunhão ou participando da Santa Missa e da oração comunitária, inclusive nos vários meios de

comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar”.

E os encarcerados?

“O meu pensamento se dirige também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. O jubileu constituiu

sempre a oportunidade de uma grande anistia, destinada a envolver muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição,

todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade, oferecendo o

seu contributo honesto. A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais

necessita do seu perdão. Nas capelas dos cárceres, poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta

da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que esse gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa,

porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de

liberdade”.

Padre Mário Marcelo Coelho

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação

Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário

Assunção ( SP), o sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade

Dehoniana em Taubaté (SP).

COMO RELACIONAR-SE COM NOSSA SENHORA NO DIA DIA - AGOSTO 2016

A presença de Nossa Senhora se revela em nosso dia adia

Cada paróquia no Brasil tem um título de Nossa Senhora, que ganha destaque na comunidade local. Quando se aproxima a festa relacionada a esse título mariano, a paróquia se mobiliza, faz novena, quermesse e celebra muito a festividade. Mas Nossa Senhora só está presente em nossa vida nesses momentos particulares? Somos fiéis devotos dela, mas só pedimos sua interseção nas Missas celebrativas ou quando estamos com problemas a resolver? Não é esse o desejo de Deus ao nos dar Maria como Mãe nem é o desejo dela ao nos assumir como filhos. Ela quer participar do nosso dia a dia, auxiliando-nos e fortalecendo-nos na caminhada até Deus.

Auxílio dos cristãos

São Bernardo nos ensina que “nos perigos, nas angústias e dúvidas devemos pensar em Maria, invocando-a”. São Boaventura afirma: “Jamais li que algum santo não tivesse sido devoto especial da Santíssima Virgem”. Na oração da Ladainha de Nossa Senhora, nós a chamamos de “auxílio dos cristãos”. Sim, ela o é! Nossa Senhora é Auxiliadora! No Evangelho de João 19,26-27, vemos que “Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse a ela: ‘Mulher, eis o teu filho!’. Depois, disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’. A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu’”. O Papa Francisco, ao meditar essa leitura, fala-nos: “Temos uma Mãe que está conosco, que nos protege, acompanha e ajuda também nos tempos difíceis, nos maus momentos”.
Podemos encontrar um vasto conteúdo nos escritos dos Papas e Santos da Igreja, mostrando-nos a real maternidade de Maria; e a resposta de João às Palavras do Cristo na cruz nos mostra qual deve ser nossa postura ao acolher a Virgem Santa como Mãe: “A partir daquela hora, o discípulo a acolhe no que era seu”. Esse é o centro do relacionamento materno entre Maria e seus filhos, não somente crer na maternidade, mas trazer Nossa Senhora para perto, colocá-la a par dos acontecimentos e sentimentos que diariamente compõem nossa vida e, para isso, há um caminho eficaz: a oração.

Colo sublime

Seja o Rosário, o Ofício, a Ladainha ou uma jaculatória que invoca a proteção da Santíssima Virgem, seja um momento longo ou um breve elevar da alma até o colo sublime da Mãe de Deus, o certo é que devemos seguir o exemplo de João e trazer Maria para tudo o que nos pertence. Apresentar a Maria nossos conflitos e medos, nossas vitórias e projetos e tê-la como Mãe é encontrar nela uma companheira para o dia a dia. Muitas vezes, durante o meu dia, elevo meu coração a Maria. Além de rezar o Santo Terço, vou me colocando nas mãos dela no decorrer das horas e dos fatos ocorridos. Quando estou realizando algum trabalho, para o qual não tenho muito domínio, vou pedindo a Maria que venha em meu auxílio. Quando vivo uma situação difícil, busco nela um apoio.

Mostra-te, Mãe

Na Carta Encíclica Adiutricem Populi, Papa Leão XIII fala de uma jaculatória simples, mas eficaz: “Mostra-te, Mãe”. Ele convida os cristãos a invocar Maria nos acontecimentos do dia e pedir sua presença ou seu conselho.
Maria, não somente quer nos acolher como filhos, como deseja nos acompanhar por toda nossa peregrinação aqui na terra rumo à morada eterna. Nos acontecimentos duros da vida, nos momentos de solidão e dor, alegria e realização, clamemos essa simples oração que nos ensina o Santo Padre: “Mostra-te, Mãe”.
Confiemos: aquela que acompanhou Jesus até o Calvário também nos acompanhara por todos caminhos.

Autor

Paulo Pereira

PALAVRA QUE ILUMINA - SETEMBRO 2016


O mês de setembro é um dos meses temáticos no Brasil; é conhecido pelos cristãos, principalmente por nós católicos, como o Mês da Bíblia, sendo comemorado no último domingo do mês o Dia Nacional da Bíblia. Isso tudo por que celebramos no dia 30 de setembro a festa de São Jerônimo, grande tradutor e comentarista da Bíblia Sagrada que, preocupado com sua divulgação e acessibilidade ao povo mais simples, traduziu a Palavra de Deus do hebraico e grego para o latim, o que muito facilitou a Igreja na propagação da Palavra Divina, uma vez que o latim, era, naquela época, conhecido pela maioria da população de então. É a preocupação da Igreja, de tornar acessíveis os textos bíblicos aos cristãos, isso tanto ontem, como também atualmente. Hoje, graças a Deus, encontramos a Bíblia traduzida em todos os idiomas, acessível a todas as pessoas. (...)


A Bíblia é carta de amor de Deus Pai endereçada a todo humanidade, principalmente aos batizados, a cada um de nós, seus filhos adotivos. Por isso, se quisermos conhecer o Projeto de Deus e o que o mesmo tem a nos comunicar, aprendamos a meditar a Palavra Divina diariamente, e, com certeza, encontraremos forças para conformar nossa vida à vontade de Deus Criador e Salvador, e assim abraçaremos a vida eterna. A Bíblia é, também, alimento para o cristão, pois como nos ensina Jesus Cristo: "Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra de Deus" (Lc 4,4). Além da abundância da proclamação da Palavra na liturgia, nas celebrações, nos encontros, nas reuniões somos convidados a debruçar sobre ela pessoalmente, a cada instante. (...)


A Palavra de Deus é, ainda, luz para a vida, como nos ensina o salmista: "A tua Palavra, Senhor, é luz para o meu caminhar" (Sl 118,105). Todo aquele que a acolhe no seu coração, tem sua vida iluminada, tem uma vida transfigurada, torna-se luz para o irmão.
Como cristãos, precisamos meditar, acolher, vivenciar a Palavra Divina. Precisamos deixar que a mesma ilumine nossa vida, ilumine nosso coração. Com certeza, se assim fizermos, é sinal de que o Espírito Santo está nos conduzindo; é sinal de que somos verdadeiros discípulos missionários de Cristo Jesus, e, a exemplo da Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, teremos também frutos benditos para oferecer aos irmãos, e assim glorificaremos também a Deus.


A Bíblia é o livro da humanidade! Ora, um livro tão procurado e lido por tanta gente deve possuir um segredo muito importante. A Bíblia contém a Palavra de Deus revelada à humanidade. A fé que mora em nós, nos diz que a Bíblia é a palavra de Deus para nós, “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Uma palavra tem a força e o valor daquele ou daquela que a pronuncia. A palavra humana pode ser errada, mas a palavra de Deus não erra nem engana. Nela nos sentimos seguros e confiantes para continuar a caminhar e construir nossa vida, nossa vocação, nosso trabalho. E assim nos tornamos romeiros que caminham e saciam a sede na água viva que encontram na Bíblia.
Jesus é o verdadeiro exegeta que interpreta a vontade do Pai. "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça", diz Jesus (Lucas 8,). Devemos pedir, com o salmista no Salmo 118,18: "Tira-me os véus dos olhos e contemplarei as maravilhas de tua Lei".  "Alimentar-se da Palavra para sermos "servos da Palavra" no

MÊS MISSONÁRIO - OUTUBRO 2016


"Não se abre uma rosa apertando-se o botão", escreveu alguém. É um pensamento muito próprio para se refletir sobre a vocação missionária do cristão para este mês de outubro, dedicado às missões. Jesus disse ao enviar os apóstolos para anunciar o ano da graça: "Eis que vos envio como carneiros em meio a lobos vorazes" (Cf. Mt 10,16). E quando, mal recebidos em uma cidade, João e Tiago pretendiam mandar o fogo dos céus sobre aquele povo, mas Jesus os repreendeu: "Não sabeis de que espírito sois" (Cf. Lc 9,55).

A primeira atitude do missionário deve ser a mansidão. O anúncio da Boa Nova é um anúncio de paz. O texto do profeta Isaías, lido por Jesus na sinagoga de Nazaré (Cf. Lc 4,16-22) e a si próprio aplicado, diz: "O Espírito do Senhor está sobre mim, eis porque me ungiu e mandou-me evangelizar os pobres, sarar os de coração contrito, anunciar o ano da graça" (Cf. Is 61,1-4). E, logo a seguir, no Sermão da Montanha, revirando todos os princípios e conceitos que o pecado instilara nos corações dos homens, da sociedade e da cultura, declara bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os que promovem a paz (Cf. Mt 5).

A violência e a agressividade afastam os corações. Não é a toa que Santa Terezinha foi declarada padroeira das missões, ela que jamais transpôs as grades de seu convento e, partindo deste mundo aos 24 anos, podia prometer que dos céus enviaria uma chuva de rosas sobre a terra. São Francisco de Sales, igualmente, ensinava que se apanham mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre.

O cristão que tem, pelo batismo, a vocação missionária, a missão de anunciar a Boa Nova, tem de ter, ele próprio, um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde, como pedimos na jaculatória, "fazei nosso coração semelhante ao vosso". Paulo VI, na "Evangelii Nuntiandi", exorta: "A obra da evangelização pressupõe um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele (o missionário) evangeliza" (nº 79) e cita São Paulo aos Tessalonicenses (2Tes 8) como programa.

O missionário, ao levar a Boa Nova a um mundo angustiado e sem esperança, ou cuja esperança se esgota com o último suspiro, não pode se apresentar triste e descorçoado, impaciente ou ansioso, mas deve manifestar uma vida irradiante de fervor e da alegria de Cristo. Nesse espírito o missionário, sem tergiversar sobre sua fé e sobre a mensagem, abra sua voz para "propor aos homens a verdade evangélica e a salvação em Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que a consciência dos ouvintes fará" (E.N. 80). Lembre-se: "não se abre uma rosa apertando-se o botão"...


Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/927/outubro-mes-missionario

CHAMADOS À SANTIDADE - NOVEMBRO 2016


A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, "santo" significa, literalmente, "separado". Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus! Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: "Só vós sois o Santo"; ao Pai nós dizemos: "Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade".

Mas, a nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-se carinhosamente sobre a humanidade - sobre cada um de nós - para nos dar a sua própria vida, para nos fazer participantes de sua própria plenitude, sua própria santidade. Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos seu Filho único até nós, e este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o seu Espírito de santidade. Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: "Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!" É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por ele e para ele desde o nosso Batismo, para vivermos sua própria vida, vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus. Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo seu Espírito em direção ao Pai. Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje:"Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é".

A salvação é para todos: todos são chamados a essa vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade! "Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro". Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo - por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus. Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo!

Celebrar a Solenidade de Todos os Santos é proclamar neste mundo laicizado e corrompido que acreditamos na vida eterna, na transcendência que começamos a viver desde agora com a vida de conversão. É anunciar que a verdadeira alegria (bem aventurança) é estar com Cristo e viver de acordo com a Sua Palavra. É poder chamar hoje o mundo a novos tempos!

Olhemos também para o céu: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos - uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam.

Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde... num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida! Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa vida com o Cristo, na sua Palavra e na sua Eucaristia para sermos inebriados da vida do próprio Deus.

Infelizmente, muitos hoje têm como heróis os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar. Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser.

Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!


Autor: Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
http://arqrio.org/formacao/detalhes/974/chamados-a-santidade

A CONFIANÇA DA DIVINA MISERICÓRDIA - JANEIRO 2017


Uma das características fundamentais da devoção da Divina Misericórdia é a confiança

Sempre que falamos de confiança, e procuramos um símbolo, algo a quem podemos associar esta palavra, nos lembramos da criança, da sua atitude de lançar-se sem medo nos braços dos pais. É a mesma atitude que Deus espera de cada um de nós se queremos que Ele esteja sempre ao nosso lado. “Estarei sempre a teu lado se fores sempre como uma pequena criança e de nada tiveres medo, assim como fui aqui teu princípio, assim também serei teu fim. Não dependas das criaturas, ainda que seja na mínima coisa, porque isso não me agrada” (Diário de Santa Faustina, número 294). Jesus promete estar sempre ao nosso lado se formos sempre como uma pequena criança e de nada tivermos medo, pois, assim como Ele foi o princípio da nossa vida, Ele também será seu fim.

Quero ficar só Eu na tua alma

Para que fique bem claro que não devemos colocar a nossa confiança e esperança nas coisas passageiras deste mundo, para que não venhamos a nos decepcionar e, desta forma, acusar a Deus de nos ter abandonado, Ele nos diz: “Não dependas das criaturas, ainda que seja na mínima coisa, porque isso não me agrada”. Não agrada a Jesus que dependamos das criaturas, ainda que seja nas mínimas coisas. E o Senhor conclui dizendo: “Quero ficar só Eu na tua alma” (D., número 295).

Jesus nos conhece perfeitamente e sabe que as nossas relações humanas estão, muitas vezes, viciadas, a ponto de até dependermos emocionalmente das pessoas. Ele quer nos libertar disso, pois a nossa felicidade está somente em sermos totalmente de Deus. Por isso, Cristo nos alerta sobre a necessidade de sermos como as crianças, despreocupadas e desapegadas em relação às pessoas. Se observarmos uma criança brincando, ela não quer saber de nada nem de ninguém a não ser de brincar. A criança não se preocupa com o passado nem com o futuro, mas aproveita o momento presente” (D., n. 333). Elas nos ensinam concretamente a viver a palavra do Evangelho: “A cada dia basta suas próprias preocupações.

Depositar o nosso passado na Misericórdia de Deus

Devemos aprender esta realidade: só é nosso o momento presente. O passado não está nas nossas mãos e não podemos corrigir os erros que cometemos, pois nos resta apenas colocar todo o nosso passado na Misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou. O futuro a Deus pertence. Devemos aproveitar o momento presente. Quem vive no (e para o) momento presente vive com uma confiança absoluta de que Deus não nos deixa faltar nada, pois Ele cuida de cada pequeno detalhe de nossa vida.

Esta é a verdade que eu devo assumir na minha vida. Deus cuida de mim, da minha parte quer somente que n’Ele confie. ‘Causa-Me prazer as almas que recorrem à Minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos’. (D., n. 1146).